Site Info
Release
Trajetória
Discografia
Áudio
Fotos
Vídeos
Links
Aulas e Contato
Home
Clique e ouça faixas de toda a carreira de Zé Eduardo Nazario, entre trabalho solo, projetos coletivos e participações
Trajetória / Xangô Três
TRAJETÓRIA :: Xangô Três :: G.E.P.S.P. :: Mandala :: Malika :: Hermeto Pascoal :: Egberto Gismonti :: Marlui Miranda :: Grupo Um :: Band Leader :: Duo Nazario :: Pau Brasil :: Percussônica :: John Stein :: Outras histórias
 
Itiberê Zwarg, Zé Eduardo Nazario, Cesar Galvão. 1968
1965 - 1968
Bateria: Zé Eduardo Nazario
Contrabaixo: Carlito Bloise, Itiberê Zwarg
Piano: Cesar Galvão, Tuca


São Paulo, 1963. Minha mãe me levava ao Teatro Paramount, na Rua Brigadeiro Luiz Antonio, onde podíamos assistir ao vivo grandes artistas. Era a Bossa Nova.

Tentei compor alguma coisa. Devido ao interesse que demonstrei, meu pai levou-me uma tarde a um ensaio do Pedrinho Mattar Trio, que acompanhava Claudete Soares e Sérgio Augusto num dos templos da Rua Major Sertório, onde havia o João Sebastião Bar, Ela Cravo e Canela e tantos outros onde desfilavam os grandes artistas do cenário musical, o que poderíamos chamar de versão paulistana do que foi o "Beco das Garrafas" no Rio de Janeiro naqueles dias. Ali eu vi, bem de perto, pela primeira vez, uma bateria. A imagem do instrumento permaneceu em minha mente.

Eu tenho um primo, que na época estudava arquitetura com o Chico Buarque na FAU em SP. Ele tocou Queixada no Festival da Record com o Jair Rodrigues em 1966, se não
me engano. Ele se chama Manini e foi uma influência muito grande para mim, pois tinha muito bom gosto musical e uma discoteca muito grande no interior de SP, em Mococa, terra da minha mãe. Quando eu passava férias lá, ficava na casa dele. Ele não continuou como músico, hoje é arquiteto. Mas as férias que eu passava no interior eram muito boas, pois ele me deixava mexer na discoteca dele. Ele tinha tanto disco de jazz, tudo de mais atual naquela época. Então, eu ouvia Monk, Miles Davis, Dizzy Guillespie. Os grandes bateristas do jazz. A bateria foi uma coisa que ali ouvindo aquela música, me chamou a atenção. Só tive sossego quando, enfim, consegui convencer meu pai a me comprar uma, o que só aconteceu em 1964.

Além da bateria, que comecei a praticar intensamente, minha outra paixão era o futebol. Assistia jogos com freqüência nos estádios, o Brasil era bi-campeão mundial (58-62), eu via o meu Palmeiras de Waldir, Djalma Santos, Dudu e Ademir da Guia, o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos, o Vasco de Vavá e assim por diante. Foi assim que, jogando com meus colegas de bairro uma "pelada" num campo de várzea, na Vila Mariana, fui interrompido e chamado às pressas para substituir um baterista num "mingau" no Circulo Militar, que ficava na Rua Abilio Soares, não muito longe de onde estava jogando. Lá conheci um rapaz que tinha um irmão, mais ou menos da minha idade, que tocava piano. Alguns dias mais tarde, ele foi com o irmão, cujo apelido era Tuca, à casa de meus pais e tocamos um pouco, chamamos meu vizinho Carlito Bloise para tocar contrabaixo e formamos meu primeiro trio, o Xangô Três. Algum tempo depois, dois novos integrantes, Cesar Galvão (piano) e Itiberê Zwarg (contrabaixo) substit
uíram os anteriores e contribuíram para o aprimoramento da música que fazíamos.

Tocávamos em bailes e festas, despretensiosamente, e ficamos sabendo de um show de Bossa Nova que iria ocorrer no Colégio Maria Imaculada, com participação de grandes nomes. Esses shows eram muito concorridos e dificilmente conseguiríamos ingressos. Tive a idéia de levar comigo o estojo de baquetas, e ao chegarmos ao portão de entrada, com as pessoas se aglomerando, mostrei meu estojo e disse que iríamos tocar no show. A freira que tomava conta da portaria permitiu nossa entrada e fomos levados diretamente aos camarins! Dos bastidores do teatro, tudo o que nós queríamos era passar para a platéia e assistir ao show, mesmo que sentados no corredor, pois o público lotava as dependências e devido ao congestionamento que se formou nas ruas adjacentes, os músicos que abririam o show se atrasaram, e diante das vaias do público impaciente, a organizadora, que a princípio disse (com razão) que o Xangô Três não constava da lista de artistas que iriam tocar, olhou para nós e pediu que abríssemos o show. Tocamos três números e fomos muito aplaudidos.

O compositor Mário Albanese, que tinha um programa na Rádio Record, entusiasmado, convidou-nos a participar do seu programa. Em seguida passamos a nos apresentar regularmente nos diversos programas da TV Record (Bossaudade de Elizeth Cardoso, Corte Rayol Show de Agnaldo Rayol e Renato Côrte Real, Hebe de Hebe Camargo), TV Excelsior (Moacyr Franco Show, É hora de Bossa, Show do Meio Dia, Hugo Santana Show), TV Tupi (Almoço com as Estrelas, Clube dos Artistas de Ayrton e Lolita Rodrigues, Antártica no Mundo dos Sons com Vicente Leporace) e muitos outros.


Entre 1965 e 1968 trabalhei com o Xangô Três em praticamente todos os programas musicais no rádio e televisão de São Paulo, além de shows, iniciando assim minha carreira profissional.
 
 
FOTOS e MATERIAL
1965 1965 1965 1965 1968
1965 Manini, 1966 Jornal Revista InTerValo   1968
 
 
IMPRENSA
DIA 23  O “SHOW” NA FUNDAÇÃO ÁLVARES PENTEADO “Xangô Trio”
Diário da Noite - 2o. Caderno - pág. 3 - São Paulo, segunda feira - 19/08/1966
Na próxima sexta feira, na Fundação Armando Álvares Penteado, será apresentado o espetáculo “Noite do Jequibau”. Entre nomes consagrados... estará também o Xangô Trio, o mais jovem conjunto de Música Brasileira. Formado por José Eduardo Nazario, de 13 anos, Carlos Bloise, de 15 anos e César Galvão, de 14 anos, o trio é composto por bateria, contrabaixo e piano. Não é a primeira vez que eles enfrentarão o público, pois embora muito jovens, já são verdadeiros cartazes em nossa televisão... O baterista José Eduardo Nazario, com apenas 13 anos, já atingiu o nível artístico só conseguido por adultos...
 
  Site Info | Release | Trajetória | Discografia | Áudio | Fotos | Vídeos | Links | Aulas e Contato | Home