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Clique e ouça faixas de toda a carreira de Zé Eduardo Nazario, entre trabalho solo, projetos coletivos e participações
Trajetória / Grupo Um
TRAJETÓRIA :: Xangô Três :: G.E.P.S.P. :: Mandala :: Malika :: Hermeto Pascoal :: Egberto Gismonti :: Marlui Miranda :: Grupo Um :: Band Leader :: Duo Nazario :: Pau Brasil :: Percussônica :: John Stein :: Outras histórias
 
Mauro Senise, Zeca Assumpção, Felix Wagner,
Lelo Nazario e Zé Eduardo Nazario, 1980
1976 - 1984
Bateria, percussão: Zé Eduardo Nazario
Pianos e teclados: Lelo Nazario
Contrabaixo: Zeca Assumpção
, Rodolfo Stroeter

Sax, flautas: Roberto Sion, Mauro Senise, Teco Cardoso
Piano, piccolo, sax: Felix Wagner
Trumpete: Márcio Montarroyos
Percussão: Carlinhos Gonçalves


Começos

O Grupo Um nasceu, embrionariamente, em 1976, período em que eu
, Lelo e Zeca formávamos a assim chamada “cozinha paulista” de Hermeto Pascoal. Durante os períodos em que Hermeto se ausentava para algum trabalho fora do Brasil, ou mesmo quando não havia shows programados, o trio se reunia em minha casa, na Rua Teodoro Sampaio, bairro de Pinheiros. Foi no porão daquela casa que começamos a criar uma linguagem musical própria, diferenciada daquela que era desenvolvida no grupo de Hermeto. Naquela época, tanto a linguagem da música eletrônica e eletroacústica quanto o uso da percussão de ponta já nos eram habituais, de forma que todas as composições e arranjos possuíam uma identidade própria.
Em julho de 1976, ao lado d
e Luiz Roberto Oliveira, eu e Lelo realizamos no MASP o primeiro concerto de música contemporânea com sintetizador eletrônico (um ARP 2600) de que se tem notícia no Brasil. A instrumentação contava com piano acústico e elétrico, fita pré-gravada (lançada a partir de um gravador), bateria e percussão – o que incluía, entre outras coisas, objetos diversos que eram quebrados dentro de uma enorme bacia. Até pausa para o café durante a performance havia!
           
Essa linguagem aberta e contemporânea sempre foi utilizada no Grupo Um, que também gravou trilhas para filmes (longas-metragens e científicos) e música para balé (Transformations, do coreógrafo japonês Takao Kusuno). Em 1977, ao deixarmos efetivamente o grupo de Hermeto, fizemos nossa primeira sessão de estúdio, no Vice-Versa B, de propriedade do maestro Rogério Duprat, já contando com a participação de Roberto Sion no sax soprano e Carlinhos Gonçalves na percussão. A gravação era feita em poucas tomadas, com todos tocando juntos, simultaneamente, ou seja – sem play back – como manda a tradição. O trabalho ficou bastante bom, e tentamos em seguida levá-lo às gravadoras. Perdemos meses, recebendo sempre respostas negativas – continuando, entretanto, a ensaiar e a produzir material novo, realizando algumas apresentações.
           

a. MARCHA SOBRE A CIDADE

O trabalho co
m Egberto Gismonti que se iniciou em 1977 me obrigou a abandonar o projeto do Grupo Um por algum tempo, em função das viagens, ensaios, gravações...Ao retornar da turnê “Tropical Jazz Rock”, em maio de 1979, me desliguei finalmente do “Academia de Danças” e voltei a trabalhar com Lelo e Zeca, organizando outra sessão de gravação no mesmo Vice-Versa B, em São Paulo (que era tudo que nosso dinheiro podia pagar). Mauro Senise foi convidado, Carlinhos Gonçalves foi mantido, e dessa sessão (26 e 27 de setembro de 1979 – registrada quase efetivamente “ao vivo”: o lado “A” inteiro foi gravado em uma tomada!), surgiu o primeiro trabalho de música instrumental independente lançado no Brasil que se tenha notícia, o disco Marcha Sobre a Cidade, em uma modesta tiragem de 1000 cópias.
           
A estréia do trabalho foi no Teatro Lira Paulistana, que depois se tornaria o núcleo dos grupos independentes, fazendo história no Brasil durante os anos 80. Marcha Sobre a Cidade recebeu críticas excelentes (vide os recortes de jornais e revistas neste site) e foi apresentado para um público considerável, nas principais capitais brasileiras. Em 1983 o álbum foi lançado na França, pela gravadora Syracuse (capa diferente da original), onde o grupo realizou uma turnê (visitando também a Suíça), tendo participado do Festival de Jazz de Grenoble e tocado nas cidades de Toulouse, Montpellier e Paris – onde gravou um concerto no Studio 106 da Radio France e se apresentou na conhecida casa de jazz “New Morning”, além de ter gravado com o cantor e compositor francês Frederic Pagés o disco “Chansons Mètisses” – finalizando a turnê em Genebra.
Enfim, ao concluir Marcha Sobre a Cidade, primeiro disco independente de música instrumental lançado no Brasil, ao lado de meu irmão Lelo e dos parceiros Zeca Assumpção, Carlinhos Gonçalves e Mauro Senise, e com a repercussão que o trabalho alcançou de imediato, eu me sentia como se tivesse passado pelo buraco de uma agulha, ou como se iluminássemos um caminho escuro, abrindo uma picada pela qual outros poderiam também passar, se quisessem seguir por aquela trilha, que se tornaria uma nova estrada para lograr um objetivo maior, algo de muita beleza, com montanhas, riachos e cachoeiras, uma paisagem linda. Este lugar, ainda não explorado, situava-se além da fronteira do permitido, que era fortemente guardada pelos "baluartes" e "arautos" do colonialismo provinciano, que só abriam as portas para os que chegassem do exterior, mesmo que tivessem saído daqui, voltando depois com o selo de "importado", para que pudessem ser "legalizados" e aceitos no meio artístico e no show business, principalmente em se tratando de música instrumental.
           
A experiência frustrante que tivemos com o boicote da música eletroacústica “Mobile / Stabile” no 1º. Festival de Jazz de São Paulo em 1978 (os organizadores do evento desligaram a fita pré-gravada durante nossa apresentação, obrigando-nos a parar de tocar e deixar o palco, sob a falsa alegação de estarmos ultrapassando o tempo permitido, enquanto artistas estrangeiros faziam apresentações intermináveis e ninguém os interpelava...) demonstrou claramente o corporativismo das gravadoras e da crítica "especializada", que faziam parte de um "júri" na ocasião, tentando impedir a todo custo que chegasse ao ouvido das pessoas um "produto" que não lhes pertencia, que não compreendiam ou que os desagradava.
           
Ao contrário do que pudessem imaginar, houve uma grande repercussão com protestos em jornais e revistas de circulação nacional, fazendo com que o jogo virasse. Assim, passamos de "vilões" a "mocinhos", com a imprensa nos procurando para conhecer a música que estávamos fazendo, que estimulava outros músicos e conquistava um público crescente após um período obscuro de nossa história, sobretudo para a música instrumental no Brasil.
           
Nesse envolvimento e compromisso com a música, surgiram novos companheiros, vibrando com a mesma intensidade e se aproximando de nós com uma vontade muito grande de fazer parte daquilo que estávamos realizando com originalidade e criatividade, renovando e representando uma evolução (ainda que em tempos de censura e repressão) em relação à música instrumental das décadas anteriores, e não um “revival” ou simples imitação, tão comuns no meio musical.
           

b. REFLEXÕES SOBRE A CRISE DO DESEJO

O ano de 1980 foi muito frutífero e gratificante para nós, porque mostramos nossas caras com nossos próprios nomes, sem a tutela ou o manto protetor de ninguém, fosse músico ou produtor. Estávamos conseguindo que as pessoas ouvissem e apreciassem nossa música "louca", pois mesmo sem a entender de imediato, sentiam que havia uma grande riqueza e complexidade harmônica, melódica e rítmica, conseqüência de muito trabalho feito com alegria e energia positiva, e tocada com a habilidade de quem praticava a todo vapor, com o melhor condicionamento físico, mental, espiritual, em plena forma e no calor do momento.
           
Os músicos do Grupo Um tiveram mais visibilidade, o que gerou boas oportunidades para todos. Carlinhos Gonçalves recebeu um convite para tocar na Austrália, alargando seu horizonte profissional, permanecendo com sucesso por lá por muitos anos. Zeca Assumpção optou por mudar-se para o Rio de Janeiro, em vista das boas propostas de trabalho que surgiram. Em seu lugar ficou seu melhor aluno, que acompanhava de perto nossas apresentações, tornando-se a opção natural para substituir o grande baixista e amigo que por tantos anos esteve ao nosso lado nos palcos e na vida. O nome desse músic
o é Rodolfo Stroeter, que permaneceu conosco até a dissolução do grupo em 1984.
           
Felix Wagner também se juntou ao Grupo Um. Nascido na Alemanha e vivendo desde adolescente no Brasil (anos depois, radicou-se naquele país), paralelamente ele integrou com Lelo e Rodolfo o Symmetric En
semble (dois pianos e um baixo). Músico talentosíssimo, Felix é compositor e toca piano, clarineta e vibrafone. No início de 1981 o Symmetric viajou para realizar uma série de concertos pela Europa, e coube a mim continuar o trabalho do Grupo Um durante aquele período. Além de Mauro Senise, participaram o pianista Nelson Ayres e os baixistas Evaldo Guedes em algumas oportunidades e Paulinho Soveral em outras, mantendo o grupo em atividade.
           
Ao retornarem dessa viagem, decidimos iniciar o trabalho para a gravação de nosso segundo disco, com novas composições que Lelo vinha desenvolvendo, algumas das quais durante a turnê com Felix e Rodolfo, que receberam novo tratamento com a inclusão da bateria e da percussão, e a magnífica colaboração de Mauro Senise nos sopros. Incluímos ainda Mobile / Stabile (aquela do Festival) e Vida, uma composição minha.
           
Desta vez optamos pelo Estúdio JV, dos m
úsicos Vicente Sálvia e Edgard Gianullo, em São Paulo, que tinha um bom equipamento e contava com um excelente técnico, Sérgio Kenji Okuda (Shao-Lin), jovem mas com bastante experiência e atento às nossas necessidades para colher o melhor resultado possível. Em dois dias conseguimos gravar todo o material.
           
O disco “Reflexões sobre a Crise do Desejo” foi considerado pela revista Manchete um dos dez melhores álbuns de 1981, além de conquistar elogios em resenhas dos mais conceituados críticos de música da época, colocando a produção independente no mais destacado patamar até então atingido por qualquer músico ou grupo instrumental no Brasil.
           

 
Zé Eduardo Nazario, Lelo Nazario e Rodolfo Stroeter, 1982
c. FLOR DE PLÁSTICO INCINERADA

Concluindo com a “Flor de Plástico Incinerada” esse período de oito anos de música com o Grupo Um iniciado em 1976, devo dizer que ficou a satisfação de ter realizado essa obra de cuja memória trago comigo as melhores recordações, a começar pela convivência que tive com todos os músicos que dele fizeram parte, que foi produtiva, intensa e motivadora, desenvolvida através de um processo de criação que era sempre muito divertido, gerando uma aura positiva, que permeou toda a nossa trajetória, e que continua viva até hoje, no meu trabalho do dia a dia.
 
Iniciava-se então o que chamo de “fase colorida” do trabalho do grupo, a começar pela capa do terceiro LP. Ao contrário das anteriores, “A Flor de Plástico Incinerada” tem sua capa em dois tons de azul. Depois de nossa apresentação em Salvador, no Teatro Castro Alves, eu costumava dizer por brincadeira que a capa do nosso disco se parecia com o mar da Bahia em dia claro e ensolarado!
 
Esse LP foi gravado em outubro de 1982, época que marcou o início de uma transição em nossas carreiras, em primeiro lugar por nos ter sido oferecido o custeio da gravação e da produção gráfica do novo disco pelo selo “Lira Instrumental”, criado por um acordo entre o Teatro Lira Paulistana em parceria com a gravadora Continental e artistas que vinham apresentando trabalhos com regularidade na programação do teatro localizado à Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, São Paulo.
 
Isso se devia ao notável crescimento dos grupos de música instrumental, que passaram a ser vistos como um “filão” comercialmente explorável. Nesse mesmo pacote foi a mim oferecido também o custeio da gravação e produção gráfica de meu primeiro disco solo, “Poema da Gota Serena”, que foi realizada no mesmo estúdio (J.V.) e no mesmo período em que foram feitas as gravações de “A Flor de Plástico Incinerada”. Além disso, foram oferecidas também as passagens para a nossa turnê européia, onde seria lançada a versão francesa do LP “Marcha sobre a Cidade” pela gravadora parisiense “Syracuse” .
 
Além da turnê pela Europa, que ocorreu nos meses de março e abril de 1983, simultaneamente aos lançamentos de “Marcha sobre a Cidade” na França, no Brasil eram lançados “A Flor de Plástico Incinerada” e meu primeiro trabalho solo “Poema da Gota Serena”. Além disso, o Grupo Um participou de várias apresentações no Brasil, dentre elas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, 3º. Festival de Música Instrumental da Bahia, Show de Aniversário da Cidade de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo (MASP), Show na Praia de São Vicente, Teatro Lira Paulistana, entre outros.
 
Foi um grande salto qualitativo em nossas carreiras, que naquele momento alcançaram o objetivo proposto, pelo reconhecimento ao trabalho realizado pelo Grupo Um com seus discos e shows, e pela efetiva colaboração na criação de um cenário muito mais promissor para a música instrumental no Brasil, não só em função do grande número de novos grupos que se formaram a partir de então, lançando seus próprios discos e originando uma nova geração de instrumentistas que podiam enfim sonhar novamente com a possibilidade de sobreviver com os frutos de seu trabalho artístico (o que alguns verdadeiramente conseguiram), mas também estimulando artistas renomados que se encontravam anestesiados ou adormecidos por acomodação ao sistema imposto, a retomarem projetos na área da música instrumental, que com o tempo passaram a florescer novamente.
 
Nesse terceiro LP houve também uma mudança na no
ssa formação. Teco Cardoso substituiu Mauro Senise, impossibilitado de vir a São Paulo com a freqüência necessária, e apesar da grande afinidade pessoal e musical que tínhamos, Teco preencheu de forma soberba essa lacuna, substituindo à altura nosso grande amigo músico, participando da gravação como convidado e permanecendo conosco até a dissolução do grupo. Felix Wagner, em razão de trabalhos paralelos em que estava envolvido, participou também da gravação como convidado.
 
Após a realização de “A Flor de Plástico Incinerada”, sentimos que o momento de transição havia chegado, pois todos nós estávamos, de alguma forma, produzindo trabalhos em diferentes situações musicais, e percebemos a necessidade de seguir nossos próprios caminhos, tão naturalmente como havíamos sentido a necessidade de realizar o trabalho com o Grupo Um, assim como um rio que se divide em seus afluentes, mas quis o destino que nos encontrássemos novamente, o mesmo quarteto formado por Lelo, Teco, Rodolfo e eu, com participação especial de Marlui Miranda, entre 1991 e 1998, com o nome de “Pau Brasil”. Dessa parceria, além de concertos, turnês e gravações, nasceu o premiado cd “Babel”, lançado no Brasil, Estados Unidos e Europa.
 
Ao escrever essas linhas, recordando a música daquele período, ao lado dos irmãos Lelo, Zeca Assumpção, Carlinhos Gonçalves, Mauro Senise, Marlui Miranda, Márcio Montarroyos, Roberto Sion, Teco Cardoso, Felix Wagner, Rodolfo Stroeter, gostaria de agradecer aos músicos e a todos os que acompanharam de perto nossas apresentações e vêm apreciando nossas gravações, trazidas novamente aos ouvintes, interessados e estudiosos, graças ao excelente trabalho realizado pela Editio Princeps, ao atualizar e reafirmar a posição galgada pelo Grupo Um na História da Música Instrumental Brasileira.
 
 
DISCOGRAFIA
Marcha Sobre a Cidade (1979)
Zé Eduardo Nazario / Lelo Nazario / Zeca Assumpção / Carlinhos Gonçalves / Mauro Senise / Marlui Miranda
1. [B(2)/1O-O.75-K.78]-P(2)-[O(4)/8-O.75-K77] :: 2. Sangue de Negro :: 3. Marcha Sobre a Cidade :: 4. A Porta do "Sem Nexo" :: 5. 54754-P(4)-D(3)-O :: faixas bônus no CD: 6. Dala :: 7. N’daê :: 8a. Festa dos Pássaros :: 8b. C(2)/9-O.74-K.76
Reflexões Sobre a Crise do Desejo.../ (1981)
Zé Eduardo Nazario / Lelo Nazario / Rodolfo Stroeter / Felix Wagner / Mauro Senise
1. O Homem de Wolfsburg :: 2. America L :: 3. Vida a. N'Daê / b. Dadão :: 4. Mobile / Stabile :: 5. Reflexões Sobre a Crise do Desejo :: faixas bônus no CD: 6. Mata Queimada :: 7. O Homem de Wolfsburg (versão alternativa) :: 8. Reflexões Sobre a Crise do Desejo (versão alternativa)
Flor de Plástico Incinerada (1982)
Zé Eduardo Nazario / Lelo Nazario / Rodolfo Stroeter / Teco Cardoso / Felix Wagner / Regina Porto
1. A Flor de Plástico Incinerada (I) :: 2. Duo :: 3. ZEN :: 4. A Flor de Plástico Incinerada (II):: 5. Sonhos Esquecidos (... para L.C.)
Anchieta José do Brasil (Trilha Sonora Original de 1978)

1. Poema da Virgem :: 2. Despedida :: 3. As caravelas e o Poder :: 4. Chegada de Anchieta :: 5. Hymnus in Missa Anchietana :: 6. Jean de Bolés :: 7. Epopéia dos Aimorés (Grupo Um) :: 8. Namoro com o Brasil :: 9. Fundação de São Paulo :: 10. Romance :: 11. Valsa palaciana :: 12. Requiem para Anchieta

Trilha do filme de 1978 de Paulo César Saraceni. "Epopéia dos Aimorés" (composição e performance do Grupo Um: Zé Eduardo Nazario / Lelo Nazario / Zeca Assumpção) figura no LP de forma severamente editada (2'16"), enquanto sua versão integral aparecia na cena final do filme, incluindo os créditos. O restante do LP são composições de Sérgio C. Saraceni com arranjos de Luiz Roberto Oliveira.

Disco inédito (1977)
Zé Eduardo Nazario / Lelo Nazario / Zeca Assumpção / Carlinhos Gonçalves / Roberto Sion
1. Mobile Stabile (Lelo Nazario) :: 2. a) Festa dos Pássaros (Zé Eduardo Nazario) b) C(2)/9-O.74-K.76 (Lelo Nazario) :: 3. Absurdo Mudo (Lelo Nazario) :: 4. M(2)/19-O.75-K.76 (Lelo Nazario) :: 5. Alga d'Água (Zeca Assumpção) :: 6. V(3)/31-O.77-K.77 (Lelo Nazario) :: 7. [S(2)/27-K.O.77][S(2)/30-K.O.76] (Lelo Nazario)

Disco gravado no Vice-Versa em 1977. O Grupo Um tentou lançá-lo pelos selos da época, sem sucesso. Quando foi decidido lançar um LP de estréia de forma independente em 1979, decidiram gravar novas sessões no Vice-Versa que refletissem as mudanças no repertório. A faixa 2 foi incluída como bônus na reedição em CD do disco Marcha Sobre a Cidade.
 
 
FOTOS
1981 1983 1976 1976 1981
Lira Paulistana, 1981 Aniversário de São Paulo, 1983 Concerto para Ian, 1976 Norte Magnético, 1976   Jardim Cândida, 1981
 
 
IMPRENSA
NO LIRA PAULISTANA, UM SHOW QUE SALVA NOSSO VERÃO
Jornal da Tarde - Segunda feira, 25/02/1980 - Wladimir Soares
O verão paulista continua pobre em quantidade de espetáculos, mas está superlativo na qualidade da música apresentada: o retumbante de agora fica com o concerto que o Grupo Um faz até quarta feira no Teatro Lira Paulistana, um concerto de jazz mais criativo e profissional que desconhece barreiras para a sua execução. É um concerto de sonoridades ousadas, inventivas e contagiantes, que tem a originalidade de não merecer apenas adjetivos, porque o Grupo Um faz uma música que também é substantiva, consistente, englobando segmentos de free jazz com elementos de jazz progressivo, misturando informações africanas de raízes balançantes a insinuações eruditas, mais intelectuais. O resultado é sempre delirante ... Juntos, eles deixam de ser secundários acompanhantes para se transformarem em estrelas absolutas com domínio pleno de seus instrumentos. Apesar de sua perfeição, é impossível evitar o destaque. E nesse destaque, sobressai a presença do “superb” Zé Eduardo Nazario, que esbanja energias e talento na sua bateria e nos vários e insólitos elementos de percussão. Zé Eduardo tem um pique inesgotável na bateria, improvisando ritmos e inventando um fraseado dos mais pulsativos. Além das loucuras que faz na bateria, Zé Eduardo realiza um brilhante solo de sons vocais, dialogando com seu berimbau ... Com o jazz do Grupo Um, o verão paulista atinge o seu calor mais intenso.
 
CRÍTICA - MARCHA SOBRE A CIDADE
A Tribuna de Santos - 28/02/1980 - Francisco Teixeira Rienzi
"Marcha sobre a Cidade" é um elepê indicado para ouvintes de jazz atualizados, para quem não parou no tempo. Lelo Nazario (piano eletrônico), Zeca Assumpção (baixo eletrônico, piano acústico), Zé Eduardo Nazario (bateria, percussão), Carlinhos Gonçalves (percussão) e o convidado Mauro Senise (sopros), se lançaram numa tarefa arrojada: dar a volta por cima, num mar de impossibilidades.
 
UM GRUPO DE VANGUARDA
Jornal do Brasil - 30/03/1980 - José Domingos Raffaelli
A música instrumental poucas vezes mereceu a devida atenção da maioria das gravadoras ... havia raríssimas exceções, porém a realidade é que o músico sempre ficou relegado ao segundo plano, sem maiores perspectivas para apresentar a sua obra ... Entretanto, alguns artistas encontraram um caminho alternativo: a produção independente ... Entre os grupos que optaram por essa solução, está o Grupo Um, que gravou Marcha sobre a Cidade, em 26 de setembro de 1979. Esse conjunto de São Paulo, onde vem alcançando apreciável sucesso em apresentações ao vivo, é formado por Lelo Nazario (piano elétrico), Zeca Assumpção (baixo e piano acústico), Zé Eduardo Nazario (bateria e percussão) e Carlinhos Gonçalves (percussão). Para a gravação do LP, atua como convidado especial, posteriormente agregado à formação o multiinstrumentista Mauro Senise (sopros). A música do Grupo Um engloba influências contemporâneas, inclusive o free jazz, porém organizado e disciplinado. A maturidade dos músicos permite-lhes todo o tipo de liberdades melódicas, rítmicas e sonoras, explorando habilmente as facetas de cada composição. Todos os seus integrantes têm relevante participação no contexto, seja nas improvisações coletivas ou pela forma quase intuitiva como qualquer deles sugere motivos adicionais. Eles tem plena consciência dos objetivos a que se propõem, sabendo exatamente a direção musical a seguir e a natureza exploratória das suas investigações do material temático ... Zé Eduardo pertence à escola moderna da bateria, estimulando constantemente a música, através de uma gama infindável de movimentos rítmicos ... Marcha sobre a Cidade” representa um passo à frente na música instrumental em nosso país. É uma abertura para o músico brasileiro que tanto anseia projetar a sua concepção, a sua vivência, e desenvolver todas as suas aptidões. É uma das realizações mais sérias já levadas a efeito entre nós, sem concessões de qualquer espécie. Iniciativas desse porte devem merecer o apoio daqueles que se interessam seriamente pela música instrumental, especialmente a de vanguarda.
 
CRÍTICA - MARCHA SOBRE A CIDADE
Som Três - Revista Mensal no. 12, 1980 - Matias José Ribeiro
O Grupo Um é um dos poucos grupos que se dedica no Brasil a uma música instrumental de mais substância. Há uma preocupação em experimentar, em ousar, em buscar novas formas de expressão ... Zé Eduardo, 27 anos, mas já com bom tempo de estrada, é um baterista de técnica e dedicação exemplares, e tem tudo para se firmar como um estilista brasileiro do instrumento.
 
GRUPO UM, A MÚSICA NOVA E INDEPENDENTE
Folha de São Paulo - Segunda feira, 12/10/1981 - João Marcos Coelho
A nova geração de instrumentistas brasileiros - sobretudo aquela que agora anda pela casa dos 20 e 30 anos - não pensa mais em termos de aparecer a qualquer custo. Nem se submete ao esquemão marginalizante em que geralmente se joga a música instrumental no Brasil. Pelo contrário, constrói com muito trabalho - e principalmente pesadas cargas de informações musicais, tanto populares quanto eruditas - uma obra que certamente colocará a criação musical brasileira mais avançada dos anos 80 em posição de liderança no contexto internacional. Vários grupos se constituiram em torno do teatro Lira Paulistana, no bairro de Pinheiros. Um, porém, se afirma como o mais fecundo núcleo de criação, porque mergulhou numa produção musical sistemática, sem concessões: o Grupo Um - mostra a um público crescente o resultado de suas últimas pesquisas. O quarteto, hoje formado por Mauro Senise, Lelo Nazario, Rodolfo Stroeter e Zé Eduardo Nazario, tem cinco anos de vida. Mais: em 1979 lançou “Marcha sobre a Cidade,” o primeiro disco independente de música instrumental. Seu segundo LP se chama “Reflexões sobre a Crise do Desejo” ... é imprescindível ao público interessado em conhecer os rumos futuros da música instrumental brasileira mais avançada - e também aos músicos profissionais em geral - ir até o Lira, hoje e amanhã, pois ouvirão não somente a feiura da nossa realidade, mas a beleza poética que cada vez mais se afasta de nós.
 
JAZZ - GRUPO UM, VOLUME DOIS
Revista Manchete no. 1543 - Rio de Janeiro 14 de novembro de 1981 - Roberto Muggiati
Em seu novo disco, “Reflexões sobre a Crise do Desejo”, o Grupo Um ... além de muita cancha, possui um notável senso de equipe, aperfeiçoado ao longo dos últimos anos. Como o título do LP indica, esse novo trabalho do Grupo Um não é de leitura fácil. Mais que o primeiro álbum, ele aprofunda a exploração de tensões e climas sonoros ... Vida” (1980) de Zé Eduardo Nazario - um “trip”, em que ele usa tudo a que tem direito em matéria de bateria/percussão, além de tirar exóticos sons de uma flauta da Tailândia. Uma coisa “Reflexões” reflete: o alto nível alcançado por nossa (ainda) tão pouco prestigiada música instrumental.
 
NAZARIO, A PERCUSSÃO COMO EXPERIÊNCIA
Folha de São Paulo - 22/10/81 - João Marcos Coelho
Zé Eduardo Nazario é um dos melhores percussionistas brasileiros... Zé Eduardo trabalhou com Hermeto e Egberto Gismonti - e inegávelmente, deve-lhes a conquista de uma ampliação musical que lhe vem permitindo imprimir caracteristicas muito pessoais a seu trabalho. Zé jamais busca o exótico pelo exótico, defeito talvez da maior parte dos percussionistas brasileiros, sobretudo aqueles que emigraram para os Estados Unidos. Em 1976, essa tendencia solidificou-se no estabelecimento do Grupo Um, que montou com seu irmão Lelo Nazario (piano), Zeca Assumpção (baixo) e Carlinhos Gonçalves (percussão). Três anos mais tarde, o Grupo Um lançou “Marcha sobre a Cidade”, primeiro disco independente instrumental, que constituiu verdadeira ponta de lança de um fertilíssimo movimento musical paulista, hoje agrupado em torno do teatro Lira Paulistana. Há algumas semanas, o grupo distribuiu seu segundo disco, “Reflexões sobre a crise do Desejo”, onde Zé tem uma extraordinária participação, principalmente na faixa “Vida”.
 
GRUPO UM - A FLOR DE PLÁSTICO INCINERADA
Revista Manchete no. 1632 - Rio de Janeiro 30/07/1983 - Roberto Muggiati
Capa sóbria em dois tons de azul, o terceiro álbum do Grupo Um, “A Flor de Plástico Incinerada”, se mostra mais comprometido com a música instrumental contemporânea, sem nenhum sotaque ... O mérito do Grupo Um nesta sua nova etapa, é o de incursionar pela música de vanguarda, sem cair na monotonia.
 
J.L.C. FESTIVAL DE JAZZ DE GRENOBLE GRUPO UM : UNE MUSIQUE AUTRE
Le Dauphiné Liberé (França) - 26/03/1983
Quel est le plus important? La musique ou le rencontres qu’elle provoque ? Les deux san doute. Enfin, tel était le cas, hier à la Maison de la culture où “ Jazz/ Musiques “ avait les apparats de grande manifestation populaire... dans la tradition des “ cinq jours de jazz “. Rencontre du public à la rencontre de la musique... celle de Grupo Um, notamment. Grupo Um se produsait pour la première fois em France em tant que tel. Le groupe est em fait um trio que existe depuis 1976 au Brésil. Au gré des aventures musicales, se greffant autour de Zé Eduardo Nazario ( batterie ), Rodolfo Stroeter ( basse ) et Lelo Nazario ( piano ), dés “ invités “. Ce fut hier le saxophoniste Teco Cardoso ... Entre ces diverses voies, Grupo Um trouve la sienne dans “l’énergie du son “, entre l’ècrit et l’improvisation, Marqué par “ Modern art Movement “ qui se dèveloppa au Brésil a partir de 1922, les musiciens de São Paulo ont pris le parti d’une musique antrpophagique qui mixe plusieurs cultures et crée une musique autre, une musique nouvelle... Pour être nouvelle, la musique de Grupo Um n’em est pas moins enthousiasmant ... Dans la voie étroite, Grupo Um a choisi une musique... libre!
 
GRUPO UM
Le Point (França) - 11/06/1983
Planetaire, le jazz? La réponse est évidente, mais jamais une culture n´avaite autant apporté à l´ idiome original. Le Grupo Um est brésilien, et l´osmose est stupéfiante. Audace, invention, harmonie, rythme. La batucada et le swing. L´Afrique vit.
 
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